Central Única dos Trabalhadores

Bancários em greve defendem Banrisul público e entregam dossiê no Palácio Piratini e aos deputados

21 outubro, quarta-feira, 2015 às 10:00 pm

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Banrisul 2110

Banrisul 2110

A retomada da política de extinção e de privatizações de estatais pelo governo Sartori mobilizou os bancários no 16º dia da greve para defender o Banrisul público. Os trabalhadores responderam com participação e luta e foram ao Ato Estadual em Defesa do Banrisul, realizado na manhã desta quarta-feira, dia 21.

A manifestação ocorreu em frente ao prédio da Direção Geral (DG) do Banrisul, e fechou a Rua Caldas Júnior, no centro de Porto Alegre. Houve apitaço e chamamento dos colegas a participarem da mobilização.

Letícia

O ato também contou com a participação da CUT-RS, federações e sindicatos, bem como da Frente em Defesa do Patrimônio do Povo Gaúcho, que, além do Banrisul, luta contra a ameaça de privatização da Corsan, CEEE e outras empresas e fundações.

Crédito mais barato

O presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo, chamou a atenção para a importância de envolver a sociedade na defesa do Banrisul público. “Este banco pratica juros e tarifas diferenciadas, bem menores que os bancos privados, e leva atendimento e crédito para fomentar o desenvolvimento econômico e social do Rio Grande. Imaginem o custo que a sociedade teria que pagar se não contasse com esse poderoso instrumento construído por gerações e gerações de gaúchos”, apontou.

Claudir no Banrisul1

O diretor administrativo do Sindiágua, Marco Brasil, lembrou que a Corsan é outra das estatais que há muito estão na mira da privatização. “Estamos juntos nessa luta e levando o debate para todo o Estado. A água é um bem fundamental à vida e não pode ter dono”, afirmou.

Para a vice-presidente do Senergisul, Ana Maria Spadari, levar o debate à Assembleia Legislativa é extremamente importante. “Os deputados têm que assumir sua posição sobre a tentativa de privatização deste governo.” Segundo ela, também é fundamental envolver os legislativos municipais na defesa das empresas estatais.

“Já estivemos nas câmaras municipais de Porto Alegre, Gravataí, Pelotas e Santa Vitória do Palmar, entre outras, fazendo audiências públicas sobre o tema. Os vereadores precisam entender o papel estratégico das estatais para o Estado, fazendo moções e encaminhando ao governo do Estado”, arrematou.

Banrisul 21101

Ao meio-dia, começou a passeata até a Praça da Matriz. Os bancários de Porto Alegre, com a participação de colegas de Caxias do Sul, Rio Grande e Vale do Paranhana, subiu a Rua Caldas Júnior, entrou na Rua Riachuelo e foi até a frente do Palácio Piratini.

Entrega do dossiê Banrisul ao governo Sartori

Uma comissão formada por dirigentes do SindBancários (Luciano Fetzner e Ana Guimaraens), Fetrafi-RS (Denise Falkenberg Correia e Carlos Augusto Rocha) e CUT-RS (Ademir Wiederkehr e Letícia Raddatz) ingressou na sede do governo e entregou o dossiê Banrisul ao secretário adjunto da Casa Civil, José Guilherme Kliemann.

Elaborado pelo Dieese, o documento mostra com números, tabelas, gráficos e textos, a importância da manutenção do Banrisul público.

Clique aqui para acessar o dossiê.

Piratini

Os dirigentes sindicais aproveitaram para questionar a audiência concedida na último quarta-feira, dia 14,por Sartori ao presidente do Santander Brasil, Jesús Zabalza, e ao presidente do Conselho de Administração e futuro presidente do banco espanhol, Sérgio Rial, com a presença da presidência do Banrisul, onde foi discutido projeto de lei que prevê a criação da Banrisul Cartões.

“O sinal vermelho ficou mais forte para nós depois que o governador Sartori recebeu na semana passada, juntamente com o presidente do Banrisul, a visita do presidente do Santander Brasil”, disse Ana , que é diretora de comunicação do SindBancários.

“Os bancários e a população gaúcha exigem saber o que o governador tem a tratar a portas fechadas com os banqueiros do Santander sobre o Banrisul”, completou Luciano,  secretário-geral do Sindicato.

Comissão no palácio

Ademir, que é secretário de Comunicação da CUT-RS, propôs que seja feito um esclarecimento no site do governo sobre o que foi tratado na reunião com o Santander, pois os bancários ficaram muito preocupados. “Foi o banco espanhol que adquiriu o Meridional, cuja sede ficava aqui, e o Banrisul é hoje o banco estadual mais atraente aos interesses dos banqueiros”, disse.

O representante da Casa Civil ficou de levar o dossiê e os questionamentos dos dirigentes sindicais para a apreciação no centro do governo.

Deputados da oposição recebem dossiê Banrisul

Sem conseguir fazer a entrega à presidência da Assembleia Legislativa, o dossiê Banrisul foi recebido por deputados da oposição ao governo. Ainda durante o ato em frente ao Piratini, o documento foi entregue ao deputado Juliano Roso (PC do B), que garantiu: “Nossa bancada é uma trincheira em defesa do patrimônio público do RS”.

Em seguida, uma comissão de deputados do PT, PCdoB e PSol, recepcionou os bancários no saguão de entrada no prédio da Assembleia Legislativa. Cada um dos parlamentares ganhou o material do Dieese.

Rocha falando

Falando em nome dos colegas de bancada, o deputado petista Luis Fernando Mainardi recordou: “Gostaríamos que o assunto privatização não mais estivesse na pauta do Estado, mas continua desde o governo Antonio Britto. E o atual governo também é a favor da redução das funções públicas e acha que o Banrisul prejudica os negócios. Ele conseguiu aumentar o ICMS e agora procura vender o Banrisul – mas a sociedade gaúcha não vai deixar isso acontecer”. Também estiveram presentes os deputados Adão Villaverde, Zé Nunes, Jefferson Fernandes e Tarcísio Zimmerman.

O deputado Pedro Ruas, do PSoL, disse que “o governo Sartori é cruel e quer fazer a população e os servidores públicos sofrerem para criar o caos no Estado e tentar aprovar suas medidas”. Mas garantiu: “Aqui dentro da Assembleia ele não vai encontrar facilidades para vender o patrimônio público”. Também compareceu a vereadora de Porto Alegre, Fernanda Melchiona (PSoL)

Já o deputado Júnior Piaia (PC do B) manifestou solidariedade aos bancários e à luta contra a privatização do Banrisul e das demais empresas públicas do povo gaúcho.

A luta continua

Para o coordenador da CUT Metropolitana, Carlos Pauletto, a manifestação dos bancários gaúchos, com a participação de outros sindicatos em defesa do Banrisul, foi um sucesso. “Mostramos que a tentativa do Sartori e do PMDB de vender o cartão, que é o grande negócio do banco, fragiliza e inviabiliza o Banrisul, o que caracteriza uma estratégia de privatizar por dentro sem grande alarde”.

Pauletto alerta que “o PMDB e o Sartori têm que entender é que o Banrisul não pertence a eles e sim ao povo gaúcho, que construiu a instituição ao longo do tempo com diversas gerações de gaúchos, e com muito esforço e luta”.

“Como o PMDB e o Sartori têm um histórico de privatista e vendilhões do patrimônio público gaúcho, vide a venda da metade da CEEE e a CRT, o que não resolveu o problema financeiro do Rio Grande do Sul e,pior, cadê o dinheiro desta venda?”.

O dirigente conclui dizendo que “a CUT e a Frente em Defesa do Patrimônio do Povo Gaúcho prometem muita luta contra essa proposta do  Sartori e do PMDB,de sangrar  o Estado e vender as empresas estatais”.

Veja aqui imagens do 16º dia de greve dos bancários.

Deputados apoiam

 

 

Fonte: CUT-RS com SindBancários