Central Única de Trabalhadores

Bancários decidem coletar assinaturas em projeto de lei para impedir venda de ações do Banrisul

12 novembro, domingo, 2017 às 6:59 pm

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Zé Nunes na assembleia

Zé Nunes na assembleia

Em assembleia nacional realizada na manhã deste sábado (11), no auditório da Fetrafi-RS, em Porto Alegre, os funcionários do Banrisul se uniram em torno da mobilização contra a venda de ações do banco, proposta pelo governador entreguista José Ivo Sartori (PMDB).

Participaram banrisulenses da Capital, de vários municípios do Interior e outros estados. Eles discutiram estratégias de luta para enfrentar a reestruturação do banco, que eliminou postos de trabalho e fechou agências em várias capitais, a venda de ações e o processo iminente de privatização.

Villa fala

Também estiveram presentes o coordenador da Frente Parlamentar em defesa do Banrisul Público, deputado Zé Nunes (PT), e o coordenador da Frente Parlamentar em Defesa do BRDE e do Badesul, deputado Adão Villaverde (PT).

Eles ressaltaram a importância dos bancos públicos para o desenvolvimento do Estado e denunciaram a política neoliberal do governo Sartori de estado mínimo para a população e grande para os grupos econômicos, além da “desgauchização” do Rio Grande do Sul, segundo Villaverde.

O secretário de Comunicação da CUT-RS, Ademir Wiederkehr, frisou que “o momento é de resistência e enfrentamento para defender as empresas públicas e os direitos dos trabalhadores, a fim de evitar retrocessos”. Ele destacou a luta das centrais sindicais “contra as chamadas reformas trabalhista e da Previdência e o trabalho escravo, em defesa da Justiça do Trabalho e por nenhum direito a menos”.

Ademir no Banrisul1

Projeto de lei de iniciativa popular

Uma das propostas aprovadas é a coleta de 70 mil assinaturas, número que corresponde a 1% do eleitorado gaúcho nas eleições municipais de 2016, em projeto de lei de iniciativa popular, conforme faculta a Constituição Estadual, buscando impedir a venda de ações do Banrisul.

A medida foi apresentada pelo assessor jurídico da Fetrafi-RS, Milton Fagundes, salientando que se trata de poderoso instrumento para mobilizar a sociedade e defender o Banrisul. Após obter o número suficiente de adesões, o projeto será protocolado na Assembleia Legislativa.

Milton Fagundes

Sartori quer vender 48,57% de ações ordinárias (com direito a voto) e 14,2% de ações preferenciais (sem direito a voto) que estão em poder do Estado.

Se vender, o Estado manteria o controle acionário de 51% das ações ordinárias, mas ficaria com apenas 26% do total das ações do Banrisul, o que geraria perdas incalculáveis para as receitas públicas e acabaria com o papel social do banco.

Clique aqui para baixar a lista de coleta de assinaturas.

Para assinar, é preciso escrever o endereço e os dados do título de eleitor.

Zé Nunes na assembleia1

Vender ações do Banrisul é mau negócio para o Estado

A economista do Dieese, Iara Welle, lembrou a venda do lote de 43% das ações preferenciais pela governadora Yeda Crusius (PSDB), em 2007. Na época, houve muita resistência dos bancários. Segundo ela, os dividendos pagos aos acionistas privados ao longo desses 10 anos são quase iguais ao valor obtido no leilão. Isso comprova que foi um mau negócio para o Estado.

O presidente do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre, Everton Gimenis, salientou que Sartori e a direção do banco querem enfraquecer a posição do Estado como acionista majoritário, diminuindo significativamente os dividendos que o Estado tem por receber.

Gimenis defendeu a manutenção do Banrisul como banco público e defendeu o projeto de lei de iniciativa popular. “Queremos incluir na Constituição Estadual um artigo que assegure ao Estado a manutenção do controle acionário de 51% do capital votante e 51% do capital social do Banrisul”, ressaltou.

Gimenis no Banrisul

Não á privatização do Banrisul

Os diretores da Fetrafi-RS, Carlos Augusto Rocha e Denise Falkenberg Corrêa, enfatizaram que a ideia é envolver todos os funcionários e os inúmeros setores da sociedade que serão atingidos com a venda do banco. O objetivo é fazer a defesa incondicional do Banrisul como patrimônio público e ferramenta importante para fomentar a economia gaúcha e atender o conjunto da população.

O Banrisul hoje está presente em municípios distantes e isolados dos grandes centros urbanos, sendo que em 97 deles é a única agência bancária, que atende em sua maioria clientes com renda de até três salários mínimos. Com a privatização, essas pequenas agências e postos de atendimento espalhados no interior do estado, seriam fechados, como aconteceu na venda do Meridional, obrigando essas pessoas a se deslocar para outras cidades.

 

 

Fonte: CUT-RS com Fetrafi-RS e SindBancários