Central Única dos Trabalhadores

Audiência pública do Senado no Pará diz não à terceirização

7 novembro, sábado, 2015 às 9:27 am

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Terceirização Pará

Terceirização Pará

A terceirização é um crime contra a humanidade, contra a vida, é contra os sonhos. Se passar esse famigerado PLC 30/2015 (mesmo conteúdo do PL 4330) teríamos, então, hospitais sem médicos e enfermeiros, escola sem professores, obras sem operários próprios. Esvazia-se o conceito de categoria, permitindo-se transformar a grande maioria de trabalhadores em uma massa de “prestadores de serviços”, sem identidade profissional, e não mais “bancários”, “metalúrgicos”, “urbanitários”, ou “assalariados rurais”. Será imediata a migração de milhões de trabalhadores hoje enquadrados como efetivos das empresas e instituições tomadoras de serviços, em direção a um novo enquadramento, como trabalhadores terceirizados, deflagrando impressionante redução de valores, direitos e garantias trabalhistas e sociais.

Audiência Pública no Pará

A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado, presidida pelo senador Paulo Paim (PT-RS), promoveu na quinta-feira (5) uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Pará sobre o projeto da terceirização sem limites. Os presentes, incluindo o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), votaram a favor do conteúdo da Carta do Pará, que se opõe à terceirização contida no famigerado PLC 30/2015.

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Com o auditório lotado de homens e mulheres contrários à terceirização, Paim afirmou que “terceirizar é explorar, é retirar direitos e, se permitirmos a terceirização, ninguém terá identidade “. Para o senador, o atual momento econômico em que o país se encontra não permite a supressão de direitos dos trabalhadores, como a ampliação da terceirização e a inversão de prevalência de contratos de trabalho sobre a legislação, o que ele chama de “negociado sobre o legislado”.

Para ele, “isso é o mesmo que rasgar a CLT [Consolidação das Leis do Trabalho]. Entraremos numa anarquia. Temos parâmetros que precisam ser respeitados”.

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Para o deputado Carlos Bordalo, que presidiu a mesa, esse modelo de terceirização não cabe na sociedade em que queremos, com uma juventude estruturada com plenas condições de crescimento profissional. “ Que condições eu quero de trabalho para os meus filhos? Que país eu quero para minha família? ”, questionou.

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A secretária de Relações de Trabalho da CUT Nacional, Graça Costa , também esteve presenta na audiência  e deu seu recado. “ Nós não somos contra a terceirização só porque ela  rasga a CLT, nós somos contra porque o país ficará mais  pobre, já que  um terceirizado ganha 30% a menos, então será 30% a menos de direitos, 30% a menos de renda para o país”.

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Rosalina Amorim, presidenta do Sindicato dos Bancários do Pará, disse que “a categoria bancária construiu essa luta de maneira muito forte junto à CUT contra o projeto da terceirização. Os trabalhadores e trabalhadoras terceirizados que fazem serviços bancários tem cerca de 70 % de perdas salariais e perdem seus direitos. Precisamos lutar contra esse projeto em cada espaço, em cada local de trabalho. Esse projeto é nefasto para toda a sociedade brasileira”.

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” Se tem risco de afetar as próximas 7 gerações, então não façamos, esse é o ensinamento de nossos ancestrais indígenas. O PLC 30/2015 precariza o trabalho, confisca o direito à vida, o direito aos sonhos de cada trabalhador e cada trabalhadora, e afetará as futuras gerações. Como mãe, mulher, sindicalista, sou contra o PLC 30/2015”, disse Vera Paoloni, secretária de Comunicação da CUT-Pará.

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“A CUT-Pará, com seus valorosos sindicatos de base, é inteiramente contra essa ‘porcarização’, que é esse projeto da terceirização, que vai muito além de precarizar as condições de vida da classe trabalhadora. Para nós, da CUT, em tempos em que a democracia é ameaçada, nós reafirmamos que fazer democracia é também escutar o povo. A CUT continuará nas ruas, continuará demarcando sua posição de defender a classe trabalhadora”, afirmou Euci Ana Gonçalves , presidenta da CUT-Pará.

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“A cada 10 acidentes com mortes no trabalho no país, oito atingem os terceirizados, por pouco ou nenhum investimento em treinamento, qualificação, equipamentos de segurança ou, às vezes, por conta da extenuante sobrecarga de trabalho que é outra característica da terceirização. Portanto é de extrema necessidade a mobilização da sociedade como um todo para pressionar os senadores em suas bases eleitorais, para rejeitarem a proposta e arquivá-la no Senado”, afirmou Miguel Pereira, diretor executivo da Contraf-CUT e representante do Fórum Permanente em Defesa dos Direitos dos Trabalhadores Ameaçados pela Terceirização .

 

 

Fonte: CUT-RS com CUT-Pará