Central Única dos Trabalhadores

Ato ecumênico lembra assassinato no Carrefour e exige fim da violência contra povo negro

27 novembro, sexta-feira, 2020 às 9:06 pm

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Ato por Beto

Ato por Beto1

Um ato ecumênico foi realizado no final da tarde desta sexta-feira (27) em memória do homem negro João Alberto Silveira Freitas, o Beto, de 40 anos, espancado e assassinado há uma semana por dois seguranças brancos no Carrefour, em Porto Alegre.

Ao som dos tambores de umbanda, erguendo faixas, cartazes e bandeiras, dezenas de familiares, amigos, representantes de igrejas e religiões africanas, entidades sindicais e movimentos sociais protestaram ao lado do viaduto da igreja São Jorge, pedindo justiça para Beto e o fim do racismo e da violência contra o povo negro.

Pai do Beto

Muito emocionado, o aposentado João Batista Freitas voltou a condenar o tratamento recebido pelo filho no Carrefour. “Os fiscais nos conheciam. Se meu filho não fosse no mercado comigo, ele ia com a mulher dele”, contou. Ele também lembrou a cena em que viu Beto morto na entrada do supermercado. “Me avisaram que ele havia sido preso. Quando cheguei lá, vi uma poça de sangue e meu filho morto.”

“Vim aqui pedir aos jovens que continuem levantando essa bandeira para que a morte do meu filho não seja em vão. Queremos igualdade plena de direitos”, encerrou João Batista.

Assista ao vídeo do pai de Beto

O frei capuchinho Luiz Carlos Susin, da Pastoral da Vila Maria da Conceição, disse que foi prestar solidariedade à família. “Acreditamos que a morte não é a última palavra. Temos fé e esperança. Não podemos esquecer o que aconteceu ao João Alberto para que isso não se repita”, discursou.

Minutos antes, durante a missa de sétimo dia, o pároco da São Jorge, padre Sérgio Belmonte, encerrou a celebração pedindo “paz, não à violência e não ao racismo”.

Ato por Beto3

A babalorixá Winnie Bueno, do Movimento Negro Unificado, afirmou que não é mais possível aceitar mortes negras sem revolta. “Não vamos mais aceitar que o racismo ceife nossas existências. Estamos aqui para pedir justiça para o João Alberto e para todo e qualquer cidadão negro”, destacou.

Beto1

A suplente do senador Paulo Paim (PT-RS) e integrante do Centro Africano Reino de Oxalá, Reginete Bispo, foi incisiva. “Por causa de nossa cor de pele e da nossa condição social, somos tratados como menos humanos. Por isso, estamos aqui juntos pedindo justiça.”

Assista ao vídeo de Reginete Bispo!

O presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci, criticou a afirmação do vice-presidente da República, Hamilton Mourão, de que não há racismo no país. “Em vez de reconhecer que vivemos num país racista, Mourão botou mais gasolina na fogueira. Este é um governo fundado no ódio, no preconceito e na violência”, enfatizou.

Assista ao vídeo do presidente da CUT-RS

Depois do ato, os manifestantes saíram em caminhada até a loja do Carrefour no bairro Partenon, a cerca de dois quilômetros do local do protesto, que já estava fechada. Lá, acenderam velas em homenagem para Beto. Ao contrário dos dois protestos anteriores, não houve confrontos com a Brigada Militar.

Ato por Beto2

Nesta sexta, a Justiça aceitou o pedido da Polícia Civil para prorrogar por mais 15 dias o prazo para a conclusão do inquérito. Segundo o delegado Eibert Moreira Neto, os investigadores necessitam de mais tempo para analisar imagens de câmeras de monitoramento do Carrefour. O objetivo, segundo ele, é verificar “a conduta dos seguranças perante às atitudes de clientes que frequentam aquele estabelecimento”.

Beto2

A Brigada Militar informou também nesta sexta que decidiu pela expulsão do policial militar temporário Giovane Gaspar da Silva, que foi um dos dois seguranças que espancou Beto até a morte. Mas ainda cabe recurso. A defesa do policial tem até a próxima quarta-feira (4) para se manifestar.

Caminhada na Bento

A CUT-RS vai continuar acompanhando a evolução das investigações, pois o combate ao racismo integra a pauta da classe trabalhadora.

Assista à reportagem da TVT 

 

Fotos: Marcus Perez / CUT-RS e Igor Sperotto / Extra Classe

 

Fonte: CUT-RS com Extra Classe e Agência Estadão