Central Única de Trabalhadores

Ato dos trabalhadores de Brasília contra o golpe termina com protesto em frente à Globo

5 março, sábado, 2016 às 9:16 am

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Conic

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A Praça dos Aposentados do Conic se tornou a praça de categorias diversas de trabalhadores,  de pessoas de  todas as raças, gêneros, credos e idades nesta sexta-feira (4), em Brasília, quando mais de dois mil brasilienses saíram às ruas em defesa da democracia e contra o golpe.

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Em pouco mais de dez horas de convocação, a sociedade civil do Distrito Federal,  organizada pela CUT Brasília e sindicatos filiados, além de movimentos sociais,  realizou um grande ato que repudiou as arbitrariedades orquestradas pela direita política, com uso da sua mídia comercial, contra o Estado de Direito, tendo como alvo central o ex-presidente Lula, na 24ª fase da Operação Lava Jato –  que investiga ações de corrupção na Petrobras.

Vestidos com roupas vermelhas,  os manifestantes agitaram suas bandeiras e gritaram em coro palavras de ordem como “não vai ter golpe” e “o povo não é bobo,  abaixo a Rede Globo”, mensagens que também ecoaram em outras capitais e grandes cidades do Brasil.

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“O papel da classe trabalhadora é se unir para defender o projeto que a favorece. Nunca na história desse país nós tivemos tantos avanços,  graças à execução de um projeto que favorece os mais pobres. Precisamos refutar toda e qualquer tentativa de golpe contra esse projeto que foi eleito nas urnas. Não estamos fazendo aqui defesa de governo, mas de projeto e,  principalmente, da democracia”, disse o dirigente da CUT Brasília, Douglas de Almeida Cunha.

A condução coercitiva de Lula executada pela Polícia Federal para colher depoimento do presidente nesta sexta-feira a mando da Justiça brasileira é arbitrária porque a medida só é aplicada, segundo os juristas, a quem se recusa a se apresentar a depor, o que não é caso do ex-presidente Lula. O espetáculo midiático preparado e levado a cabo  teve interesse apenas de macular, sem provas, a imagem de um estadista reconhecido mundialmente pelo seu combate à pobreza. Isso demonstra, segundo a deputada federal do PT-DF,  Erika Kokay,  que a ascensão das classes sociais mais pobres,  viabilizada pelo projeto político democrático iniciado com o ex presidente Lula,  “incomoda a elite”.

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“Nós tiramos a exclusividade dos aviões e das universidades da elite, e isso a incomoda. Agora eles têm que dividir os assentos de aviões e cadeiras das universidades com filhos de trabalhadores e trabalhadoras. Para terminar isso, eles ressuscitam o golpe construído pelas páginas dos jornais, a mesma lógica que foi realizada no golpe militar de 1964”, discursou a parlamentar ainda na Praça dos Aposentados.

Para o integrante da Juventude do PT,  Giovanni Silva, um dos setores mais prejudicados com o possível fim do projeto político democrático seria a juventude. “Nos últimos 12 anos,  a juventude teve a oportunidade de acesso a várias políticas públicas com um governo democrático popular , como as cotas nas universidades públicas. E a gente sabe que quanto mais cresce o número de jovens negros nas universidades, mais a elite se abala e ataca a nossa democracia. Então a gente tem mesmo que fazer um trabalho de ‘formiguinha’, falar com os colegas no boca a boca,  usar as redes sociais para podermos passar a verdade,  o que não é informado pela mídia”, analisou.

Após o pronunciamento de líderes sindicais,  de movimentos sociais e parlamentares,  os manifestantes seguiram em marcha pelo Eixo Monumental até a sede da Rede Globo em Brasília, no início da Asa Norte. A rede de televisão,  detentora de 70% dos meios de comunicação do Brasil,  é a principal aliada dos setores que pretendem,  a qualquer custo, deslegitimar o governo petista.

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Para o dirigente nacional da CUT,  Antônio Lisboa, o monopólio da mídia é um dos principais vilões da democracia brasileira. “Evidentemente que nesses 13 anos o governo do PT, do Lula e da Dilma, cometeu erros.  Entre os principais, está o não enfrentamento do monopólio da mídia brasileira. Isso deveria ter sido feito ainda em 2003, para que a gente tivesse avançado efetivamente na democracia. Mas o Lula não foi sequestrado hoje e nem se pede o impeachment da Dilma por esses erros, mas sim pelos acertos dos dois governos. Agora, se tivéssemos enfrentado o monopólio da mídia quando foi possível,  nada disso teria acontecido”, avalia.

Em frente à sede da mais rica empresa de comunicação do Brasil e do mundo, império construído com apoio à ditadura militar,  os manifestantes gritavam repetidamente “rede esgoto”.  Do carro de som,  a orientação para que a Globo não fosse ocupada. “A gente não entra onde tem ladrão”, orientou um sindicalista.

Embora os manifestantes demonstrassem visivelmente a indignação com o desserviço público da Globo, não houve qualquer incidente e a polícia que se antecipou à chegada da marcha não interveio no ato.

 

Fonte: CUT Brasília