Central Única dos Trabalhadores

Assembleia Legislativa é isolada por policiais; mobilização dos servidores continua

16 setembro, quarta-feira, 2015 às 11:59 am

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Por Caroline Ferraz/Sul21

Um dia após a forte mobilização dos servidores públicos estaduais, que provocou a suspensão da sessão de ontem que votaria projetos de lei do pacote de maldades do governo Sartori (PMDB), o prédio da Assembleia Legislativa do RS amanheceu nesta quarta-feira (16) cercado com soldados da Brigada Militar. A CUT-RS e entidades sindicais dos servidores, como o Cpers/Sindicato, permanecem unidos e mobilizados no acampamento na Praça da Matriz, na luta em defesa dos direitos do funcionalismo e do serviço público e contra as políticas neoliberais do governador.

Leia a íntegra da reportagem das 10h40 desta quarta-feira no site Sul21:

AL amanhece isolada por barreiras; sindicatos responsabilizam “pequena-parcela” por quebra de acordo na terça

Após ter permanecido fechada na terça-feira (15) em razão de um bloqueio de servidores públicos, a Assembleia Legislativa amanheceu nesta quarta-feira (16) sob um forte aparato policial, com agentes da Pelotão de Operações Especiais (POE) e barreiras de contenção isolando os acessos ao prédio pela rua Duque de Caxias e pela Praça da Matriz, onde está montando um acampamento do Movimento Unificado do funcionalismo estadual.

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“A gente lamenta também esse cerco em que os servidores foram colocados. Estamos em uma praça de guerra, sendo tratados como pessoas fora da lei”, disse Fábio Castro, vice-presidente do Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores da Policia Civil do RS (Ugeirm). “Vamos esperar que a Assembleia tenha bom senso e nos permita acompanhar a votação de projetos que dizem respeito à nossa vida”, complementou.

Apesar de lamentar que uma parte “inexpressiva do movimento” tenha mantido o bloqueio na tarde de ontem, Castro avaliou as ações como positivas por terem conseguido chamar a atenção para as reivindicações dos servidores.

Por Caroline Ferraz/Sul21

Apesar do reforço da segurança, clima era tranquilo entre os policiais nesta manhã | Foto: Caroline Ferraz/Sul21

A presidente do Centro dos Professores do RS (Cpers), Helenir Schürer, avaliou que a forte presença da Briga Militar é uma resposta ao movimento de terça-feira, quando os servidores bloquearam a entrada de deputados e funcionários à AL desde o início da manhã para exigir a retirada do regime de urgência de projetos que mudam as regras da previdência do funcionalismo, igualando à aposentadoria de futuros servidores ao teto do INSS, e preveem a extinção da Fundação Estadual de Produção e Pesquisa em Saúde (Fepps) e da Fundação de Esporte e Lazer do Estado do Rio Grande do Sul (Fundergs).

No início da tarde, as categorias que compõe o Movimento Unificado chegaram a um acordo com o presidente da Casa, Edson Brum (PMDB), para liberar a AL, mas uma parte dos servidores se manteve em frente às entradas e o deputado acabou suspendendo a sessão de ontem. Helenir afirmou que o acordo foi descumprido por apenas uma pequena parcela dos servidores e atribuiu a iniciativa de manter o bloqueio a uma parte da oposição do próprio Cpers.

16/09/2015 - PORTO ALEGRE, RS, BRASIL - BM realiza bloqueio no acesso para a ALRS | Foto: Caroline Ferraz/Sul21

Helenir Schürer afirmou que negociações com deputados terão de começar do zero | Foto: Caroline Ferraz/Sul21

“Nós temos ali pessoas que eram da direção anterior, que ainda não aceitaram a derrota e não sabem fazer a disputa no espaço que deveriam. Se equivocaram totalmente. Estão atrapalhando todo um processo que envolve mais servidores, não somente o Cpers, e trazem as pequenas rixas e as picuinhas para uma luta que é séria”, afirmou. “Nós do Movimento Unificado temos certeza e tranquilidade de saber que essas grades não são para nós. Entramos na AL muitas vezes, conversamos com todas lideranças da Assembleia muitas vezes, mas sempre cumprimos acordos. Estamos buscando avanços e garantias para as nossas categorias. Somente a irresponsabilidade é que joga qualquer possibilidade de avanço fora pelo radicalismo que não leva a nada”.

De acordo com a comunicação da BM, 250 homens foram destacados para fazer a proteção da AL, uma operação que começou ontem à noite após a AL encaminhar um ofício à BM solicitando o reforço. O acesso está limitado aos deputados e servidores da Casa.

A presidente do Cpers afirmou ainda que o Movimento Unificado teve que “recomeçar do zero” nesta quarta. Os líderes do Movimento Unificado tentavam durante a manhã marcar uma nova reunião com Edson Brum para retomar as negociações com parlamentares pela retirada da urgência dos projetos. A princípio, estes três projetos – e outros sete que deveriam ser votados ontem – devem ir à votação apenas na próxima terça-feira, junto com uma série de outros projetos que fazem parte do pacote de ajuste fiscal encaminhado pelo governo do Estado à AL.

16/09/2015 - PORTO ALEGRE, RS, BRASIL - BM realiza bloqueio no acesso para a ALRS | Foto: Caroline Ferraz/Sul21

Servidores acampados na Praça da Matriz foram isolados por barreiras | Foto: Caroline Ferraz/Sul21

16/09/2015 - PORTO ALEGRE, RS, BRASIL - BM realiza bloqueio no acesso para a ALRS | Foto: Caroline Ferraz/Sul21

Foto: Caroline Ferraz/Sul21

 

Fonte: Sul21l