Central Única de Trabalhadores

Após reajuste de 3,4% para rodoviários, empresas de ônibus querem aumento de 11% na tarifa de Porto Alegre

25 janeiro, sexta-feira, 2019 às 5:35 pm

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ônibus andando

ônibus andando

Após o fechamento do acordo de reajuste de 3,4% para os rodoviários, que representa a variação do INPC nos últimos 12 meses, os empresários de ônibus de Porto Alegre querem um aumento de 11,16% na tarifa, o que significa mais do que três vezes o índice de elevação dos salários. 

O Sindicato da Empresas de Ônibus de Porto Alegre (Seopa) já protocolou um pedido de revisão  tarifária na Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), propondo o valor de R$ 4,78 junto ao Conselho Municipal de Transportes Urbanos  (Comtu).  Se for aprovado, a passagem subiria de R$ 4,30 para R$ 4,78. Um acréscimo de quase R$ 0,50 na tarifa.

“Essa proposta de aumento está totalmente fora da realidade. É absurda. Qual foi a categoria de trabalhadores que teve 11% de reajuste? Com esse pedido dos empresários, o cidadão que paga duas passagens por dia vai gastar mais de R$ 200,00 por mês. Enquanto isso, as empresas forram o bolso de dinheiro e a população ainda sofre em veículos sucateados, muitos sem ar-condicionado, arcando com uma das tarifas mais caras do país”, critica o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo.   

Claudir

“Todo ano se repete a mesma coisa: jogos de interesses para ferrar a vida dos trabalhadores que dependem do transporte de ônibus, seja como usuário ou como funcionário, com o agravante de que quem responde por este abuso dos empresários junto à população é o rodoviário”, afirma o motorista da Carris e diretor da CUT-RS,  Alceu Weber.

Favorecimentos aos empresários sem contrapartida para usuários

Nos últimos anos, as empresas de ônibus têm sido favorecidas com várias isenções do pagamento do Imposto sobre Serviços (ISS), prejudicando os cofres públicos e não oferecendo contrapartidas para a população.

Em 2018, no governo do prefeito Nelson Marchezan Jr (PSDB), o reajuste da tarifa aprovado por maioria no Conselho Municipal de Transportes Urbanos (Comtu) foi de 6,37%, bem acima da inflação do período, enquanto os patrões concederem somente 1,87% de reajuste aos rodoviários.

ônibus de Porto Alegre

Além disso, foi aprovada a volta da cobrança de 50% na segunda passagem, que até então era gratuita para quem tomasse o segundo ônibus em até 30 minutos, exceto os estudantes. Um prejuízo para muitos trabalhadores!

Em 21 de dezembro, por 20 votos a favor e 14 contra, os vereadores aprovaram o projeto de Marchezan, que determina que as isenções em passagens de ônibus para idosos ficarão limitadas aos com 65 anos ou mais. A legislação anterior previa a gratuidade a partir dos 60 anos. Trata-se de uma retirada de um direito dos aposentados.

Queda do número de passageiros   

Dados da EPTC apontam uma queda no número de usuários do transporte de ônibus em Porto Alegre. No último edital de licitação, a estimativa dos empresários era de uma média mensal de 17,8 milhões de usuários. Em 2018, o total fechou em 14,1 milhões de passageiros.   A Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP) atribui essa redução ao crescimento da competitividade, sobretudo dos aplicativos móveis, como o Uber, dentre outros.

“Os aplicativos de transporte estão mudando o modelo de transporte público da cidade. O tempo de locomoção é mais rápido e o passageiro anda sentado, em ambiente climatizado. Sem falar no custo que, dependendo do trajeto, é bem mais baixo. Não é à toa que o trânsito ainda tão congestionado, além do aumento da poluição”, explica Nespolo. “As empresas têm que encarar essa nova realidade e apresentar mais benefícios para a população. Caso contrário, a tendência dos ônibus é perder ainda mais mercado, prejudicando o emprego dos rodoviários”, destaca Nespolo.

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Empresas agem sem transparência e escondem lucros

“Querem acabar com as isenções, como a gratuidade de passagem para aposentados de baixa renda.  Mas, antes disso, a EPTC vai ter que explicar porque a redução do valor do diesel, sancionada pelo Temer, não foi levada em consideração no cálculo do reajuste apresentado ao Conselho”, salienta o representante da CUT-RS no Comtu, Paulo Roberto Rocha.

Conforme Rocha, que também é diretor do Semapi-RS, o custo de manutenção da frota reserva, aquela que não é colocada para rodar nas ruas e avenidas da cidade, também é repassado aos passageiros. No entanto, o lucro das concessionárias de ônibus permanece um segredo, guardado a sete chaves, sem qualquer transparência para a sociedade.

Paulo Rocha

“Estamos desde o ano passado, esperando as planilhas com o lucro líquido das empresas de ônibus, mas até agora nada foi enviado. Mesmo com isenção de ISS e desoneração da folha de pagamento, o que deveria reduzir o valor da passagem, os empresários querem empurrar um aumento dessa natureza para cima dos usuários. Não está certo e vamos analisar a fundo esse pedido das concessionárias”, garante Rocha.

 

 

Fonte: CUT-RS