Central Única de Trabalhadores

Após manifestações, municipários mantêm greve e mobilização por direitos e contra ataques de Marchezan

8 agosto, quarta-feira, 2018 às 9:24 pm

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Municipários de Porto Alegre completaram nove dias em greve nesta quarta-feira (8) com atividades pela manhã no Paço Munipal. Mesmo com chuva, categoria realizou caminhada pelo Centro da Capital até a Câmara de Vereadores e depois para a Casa do Gaúcho, onde foi realizada assembleia geral, que definiu os rumos da mobilização.

Há dois anos sem o reajuste da inflação, trabalhadores lutam pela datas-base e para barrar os projetos de lei do prefeito Nelson Marchezan Jr. (PSDB), que tramitam na Câmara.

De forma intransigente, Marchezan trata com raiva os servidores, enquanto está levando a cidade ao caos, com desmonte do serviço público e a ameaca de privatização de setores importantes, como a água, a saúde e assistência social. Outras áreas também sofrem, como o alto custo do transporte público, ruas esburacadas e praças e espaços de lazer abandonados.

Simpa nas ruas

Acumulando perdas de 6,85% (inflação de dois anos) e 8,85% (acumuladas com parcelamentos e retiradas de direitos), os municíparios já tiveram o aumento no desconto da contribuição previdenciária, salários parcelados e o 13° do ano passado ainda não foi pago. Nesta semana, Marchezan aprovou na Câmara por 19 votos favoráveis e 15 contrários o projeto que acaba com a atual previdência municipal.

Este é o terceiro movimento de greve da categoria somente este ano. Em 2017, os servidores realizaram uma greve histórica, que durou mais de 40 dias.

Somam-se ao Sindicato dos Municipários de Porto Alegre – Simpa, que representa mais de 25 mil servidores da Capital, os movimentos sociais, entidades sindicais e outros segmentos que também enfrentam o retrocesso que o prefeito tenta impor na cidade.

Assembleia decide pela manutenção da greve

Os municipários, reunidos em assembleia na Casa do Gaúcho, decidiram pela manutenção da greve em reação à falta de diálogo, por parte de Marchezan, em relação às negociações da data-base da categoria, contra os parcelamentos e os projetos de lei que atacam os direitos dos servidores.

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A assembleia também aprovou, como agenda para esta quinta-feira (9), a realização de manifestação às 9h, na Secretaria Municipal de Saúde, com caminhada até o HPS. Depois, haverá reuniões da Comissão de Mulheres, às 17h, e do Comando de Greve Aberto, às 18h30, ambas na sede do Simpa.

Durante o Comando de Greve, será definida a agenda de mobilização para os próximos dias. Também ficou marcada nova assembleia no próximo dia 14, às 14h, na Casa do Gaúcho.

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Dia do Basta

Outra definição dos municipários foi a participação da categoria no Dia do Basta, nesta sexta-feira (10), promovido pelas centrais sindicais e movimentos sociais em defesa do emprego, da aposentadoria e dos direitos trabalhistas, por justiça e contra retrocessos.

Em Porto Alegre, a concentração terá início às 8h30, em frente à Fecomércio (Alberto Bins, 665), com caminhada até a Praça da Matriz, onde será realizado ato em frente ao Palácio Piratini, seguido de nova caminhada até o Foro Trabalhista de Porto Alegre (Avenida Praia de Belas, 1432), onde acontecerá um ato promovido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS) em defesa da Justiça do Trabalho e dos direitos sociais

A assembleia também aprovou a criação de um grupo de cuidados energéticos para os municipários em greve.

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Greve por direitos

Os municipários estão em greve desde o dia 31 de julho devido à incapacidade do governo Marchezan em negociar, com a categoria, as reivindicações da data-base. Desde o ano passado, os servidores não têm reajuste e acumulam prejuízo de 6,85%, além das perdas histórias na ordem de 8,85%. A categoria também reivindica o fim dos parcelamentos e luta contra a aprovação de projetos de lei que atacam direitos dos servidores e os serviços públicos.

Após inúmeras tentativas frustradas de abrir mesa de negociação com o Executivo – solicitando, inclusive, a mediação da Câmara Municipal – a categoria decidiu ocupar o prédio da Prefeitura nesta terça-feira (7). Marchezan manteve-se intransigente e decidiu não abrir diálogo com a categoria, apelando à Secretaria Estadual da Segurança, para que a Brigada Militar (BM) fosse usada contra os municipários, medida que não foi acatada pela polícia. À noite, depois de cerca de 10 horas de ocupação, os municipários deixaram pacificamente o prédio da Prefeitura, sem causar nenhum dano ao patrimônio público, em decorrência de ação de reintegração de posse movida pela prefeito e acatada pela Justiça.

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Moção de repúdio

A assembleia desta quarta-feira também aprovou moção de repúdio à ação criminal contra professora da rede estadual e municipal, conforme abaixo:

Os (as) trabalhadores (as) da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, reunidos em Assembleia Geral no dia 08 de agosto de 2018, repudiam a ação criminal movida contra a colega Katiana Pinto dos Santos, decorrente da greve dos professores do estado em 2017, e manifestam seu total apoio à professora Katiana, que também é servidora municipal, desempenhando suas funções com dedicação e reconhecimento pela comunidade escolar, e sempre presente nas nossas lutas.

Contra a criminalização das lutas! Lutar não é crime. Todo apoio à luta dos trabalhadores.

 Galeria de imagens do Simpa

 

 

Fonte: Simpa