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Após denúncias, renuncia nomeado por Marchezan na Carris que é sócio de empresa que testa GPS nos ônibus

10 agosto, quinta-feira, 2017 às 7:26 pm

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Carris PUC

Carris PUC

Nomeado pelo prefeito Nelson Marchezan Jr. (PSDB), o diretor técnico da Companhia de Processamento de Dados de Porto Alegre (Procempa) e presidente do Conselho de Administração da Carris, Michel Costa, formalizou nesta quarta-feira (9) a sua renúncia aos cargos que acumulava na Prefeitura de Porto Alegre. Ele é também um dos sócios da Safeconecta, empresa que está fazendo testes de GPS na própria Carris.

A CUT-RS já havia exigido “o afastamento imediato” de Michel Costa no último dia 19 de julho. “Estamos diante de um novo escândalo na Carris, que precisa ser rigorosamente investigado na defesa da principal empresa pública da capital gaúcha. Não podemos aceitar que a atual gestão seja conduzida por interesses privados”, denunciou na ocasião o funcionário da Carris e diretor da CUT-RS, Alceu Weber.

Uma nota lacônica publicada no site da Prefeitura afirma que “o gestor justificou o afastamento, a fim de garantir transparência nas avaliações do município e de seus órgãos de controle”.

“A renúncia de Michel Costa não basta”, avalia Weber, que é também representante da CUT-RS no Conselho Municipal de Transportes Urbanos (Comtu). “É preciso aprofundar as investigações, dar transparência de verdade e cobrar a devolução de todos os recursos públicos apropriados ilegalmente”, ressalta.

Weber

Favorecimentos

A atuação de Michel Costa no governo Marchezan está sendo investigada pela Procuradoria Geral do Município, o Ministério Público e o Ministério Público de Contas, conforme reportagem do Sul21.

Outra empresa dele, segundo informações da Contadoria e Auditoria Geral do Estado (Cage), teria recebido, em 2016, do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), cerca de R$ 420 mil de superfaturamento em um serviço terceirizado.

Essa mesma empresa trabalhou na campanha eleitoral de Marchezan, em 2016, e desenvolveu a plataforma do Banco de Talentos, apontado por Marchezan como exemplo de inovação na gestão municipal.

Marchezan e Michel

Empresa de Michel Costa (centro) trabalhou na campanha eleitoral de Nelson Marchezan, em 2016, e desenvolveu a plataforma do Banco de Talentos. (Foto: Cristine Rochol/PMPA)

Baixas no governo Marchezan

No início do oitavo mês de administração, o prefeito já acumula algumas baixas. Uma das saídas mais significativas foi a do ex-secretário de Relações Institucionais e Articulação Política, Kevin Krieger (PP), responsável por construir a aliança do PP com o PSDB na corrida eleitoral.

Além dele, o advogado Bruno Miragem deixou em junho o cargo de procurador-geral do município. No mesmo mês, Álvaro de Azevedo foi demitido da direção-geral do DMLU. Na Carris, o então diretor-presidente, Luis Fernando Ferreira, anunciou sua saída 20 dias após assumir a função. Em julho, Jaqueline Simões, procuradora-geral da empresa pública, abriu mão do cargo.

CUT-RS quer mais investigações

O diretor da CUT-RS defende que também precisa ser apurada a fusão da empresa Softbus com a então GPS Conecta, que resultou na Safeconecta. “A Softbus é a mesma dos escândalos ocorridos na antiga gestão da Carris, que havia firmado contratos escusos com essa empresa, amplamente divulgados pela mídia, e que culminou na exoneração da direção ligada ao PMDB, ainda sem qualquer reparação financeira para a Carris”, ressalta.

“Os donos da Softbus são nada mais, nada menos, do que os donos da Sudeste e administradores do consórcio Mais, que tem como principal nome José Alberto Guerreiro, ex-presidente do Grêmio”, salienta.

Para Weber, “existe um grande interesse do empresariado do transporte coletivo e do prefeito Marchezan em criar as condições para tentar viabilizar a privatização da Carris, o que significaria entregar aos grupos privados as principais linhas de ônibus da Capital e aumentaria ainda mais as altas tarifas já cobradas dos usuários”.

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Fonte: CUT-RS com Sul21