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Apesar dos lucros gigantescos, bancos fecham 6 mil empregos entre janeiro e agosto

16 outubro, sexta-feira, 2015 às 2:28 pm

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Pesquisa

Mesmo com os lucros exorbitantes, os cinco maiores bancos do País (Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú e Santander), continuam demitindo em 2015.  Segundo estudo feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), de janeiro a agosto foram fechados 6.003 postos de trabalho no setor financeiro. A Caixa Econômica Federal foi a instituição que mais demitiu nesse período. Enquanto os outros bancos, juntos, foram responsáveis por 3.793 demissões, a empresa cortou 2.261 postos de trabalho diante do desligamento de empregados que aderiram a planos de aposentadoria.

“Esses dados só vem reforçar a nossa mobilização por mais empregados. É uma questão importante não só para os trabalhadores que sofrem com a sobrecarga nas unidades, bem como para os milhares de aprovados que esperam ser chamados e a população como um todo, que merece um atendimento de qualidade”, destaca Fabiana Matheus, coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa), que assessora o Comando Nacional dos Bancários e a Contraf-CUT nas negociações com a empresa.

Ela lembra que no Acordo Coletivo 2014/2015, assinado em outubro do ano passado, a Caixa se comprometeu a contratar mais dois mil empregados até dezembro de 2015, o que representaria a ampliação do seu quadro de pessoal de 101 mil para 103 mil empregados. Mas, aconteceu exatamente o contrário, reduziu o quantitativo de funcionários para cerca de 98 mil, segundo informações divulgadas em junho.

Planos de Aposentadoria

O fato de os desligamentos a pedido superarem a dispensa sem justa causa deve-se, especialmente, à adesão de bancários aos planos de aposentadoria da Caixa, com a saída de mais de 3.200 trabalhadores, e do Banco do Brasil. O impacto dos planos de aposentadoria dos bancos públicos no saldo negativo de empregos verificado no setor bancário, no período, também pode ser constatado na informação sobre a faixa etária que concentrou a maioria dos desligamentos, entre 50 a 64 anos.

Saldo negativo

Conforme a pesquisa do Dieese, o saldo negativo do período resultou de 23.807 admissões contra 29.810 desligamentos. De acordo com a análise por Setor de Atividade Econômica (CNAE) os cortes de empregos estão concentrados nos Bancos Múltiplos com Carteira Comercial, categoria que engloba grandes instituições como Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, HSBC e Caixa.

Vinte e dois estados apresentaram saldos negativos de emprego. Em apenas cinco estados houve saldo positivo. Os maiores cortes ocorreram no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Distrito Federal, com 1.037, 896 e 640 cortes, respectivamente. O estado com maior saldo positivo foi o Pará, com geração de 141 postos, seguido de Mato Grosso, com 77 novos postos no período.

Desigualdade

A remuneração média das 11.346 mulheres admitidas nos bancos, no período, foi de R$3.073,82. Esse valor corresponde a 81,6% da remuneração média recebida pelos homens contratados no mesmo período, que foi de R$ 3.767,18.

A diferença de remuneração entre homens e mulheres é maior no desligamento. As mulheres que tiveram o vínculo de emprego rompido nos bancos entre janeiro e agosto recebiam R$ 5.428,63, o que representou 77,0% da remuneração média dos homens desligados dos bancos, de R$ 7.046,03.

 

Fonte: Contraf-CUT com Dieese