Central Única de Trabalhadores

Aniversário dos 157 anos da Caixa é marcado por ato contra privatização em Porto Alegre

12 janeiro, sexta-feira, 2018 às 5:57 pm

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Ato na Caixa1

Ato na Caixa1

Mais do que festejar os 157 anos de bons serviços prestados ao Brasil, o ato – com bolo e música de aniversário – em frente à agência central da Caixa Econômica Federal na Praça da Alfândega, no Centro de Porto Alegre, na manhã desta sexta-feira (12), teve um caráter de protesto contra a ameaça de privatização e reafirmação da luta para manter vivo e atuante o maior banco social do país. Estiverem presentes dirigentes do SindBancários, Fetrafi-RS e CUT-RS, além de associações de empregados e aposentados da Caixa.

Fundado em 1861, o banco é marco no país por assumir pautas de cunho social. Foi uma das primeiras empresas a contratar mulheres, além de ter contribuído para a alforria de nascidos escravos após a Lei do Ventre Livre e, mais tarde, após a Lei Áurea.

A Caixa é o principal instrumento de financiamento de políticas públicas no Brasil; como saneamento básico, esporte e programas sociais, como Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, Fies, entre outros. Além disso, é o único banco totalmente público do país.

“Se a Caixa fosse deficitária eles não iriam querer privatizá-la”, disse o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo. “Mas estão privatizando o que é rentável. E o tal mercado está muito nervoso e para se acalmar eles pretendem continuar tirando o couro dos trabalhadores”, ironizou . “Mas não é só o futuro da Caixa que está em jogo hoje em dia, e sim o futuro do Brasil”, alertou.

“Temos que defender com unhas e dentes que a Caixa permaneça 100% pública, a serviço do desenvolvimento do país”, enfatizou Nespolo.

Desmonte

“Muitas das pessoas que por aqui passam e usam os serviços da Caixa não têm ideia da importância dela para o povo brasileiro”, destacou o presidente do SindBancários, Everton Gimenis. “Muitos também não sabem que o governo ilegítimo de Temer está promovendo o desmonte do banco. Mas o certo é que nenhum governo vai implementar políticas sociais e econômicas se não tiver instrumentos como a Caixa, o Banco do Brasil ou o nosso Banrisul”, disse.

Para o dirigente dos bancários, a privatização do sistema financeiro público corresponde a um desmonte das instituições de atendimento à população. “Mesmo quem não depende dos programas sociais conta com atividades que passam pela Caixa, como o saneamento básico. Agora, se acionistas da iniciativa privada assumirem o banco, pouco interesse terão em manter as iniciativas sociais como são hoje”, explica.

Gimenis aponta para o desmonte gradual do banco. Até dezembro passado, 7.315 postos de trabalho da Caixa foram fechados no Brasil. Além disso, a redução de funcionários, a extinção de departamentos e a redução de programas sociais são algumas das chamadas medidas de reestruturação em curso, que, segundo o presidente, visam deixar o banco enxuto para uma possível venda. Além das medidas institucionais, os clientes do banco puderam observar uma diminuição da oferta de crédito e o aumento dos juros, que chegaram ao patamar dos bancos privados.

O principal argumento a favor da reestruturação seria a baixa lucratividade da Caixa. No entanto, segundo dados do SindBancários, a Caixa é responsável por 70% dos financiamentos habitacionais no país, com 355 mil unidades só em 2016. Nos primeiros meses de 2017, o lucro líquido foi de R$ 6,2 bilhões, um crescimento de 84,5% na comparação com o mesmo período de 2016.

“Mas é interessante que a gente avalie o que é mais importante. A Caixa é um banco 100% público e, ainda assim, com um lucro muito representativo. Mas é isso que é o mais importante? Toda população depende da Caixa. O papel do banco público é ajudar a desenvolver a sociedade, mas isso não parece ser a prioridade deste Governo”, analisa. “Queremos que a Caixa pública continue festejando seu aniversário de 100, de 200 anos…”, frisou Gimenis.

Temer: pagando o apoio dos golpistas

Empregado da Caixa e diretor financeiro do SindBancários, Tiago Vasconcellos Pedroso, lembrou que o aniversário – e a luta contra o desmonte da instituição – está espalhada pelo Brasil neste dia 12 de janeiro.

Jailson Bueno Prodes, também empregado da Caixa e diretor do Sindicato, lembrou que está crescendo a mobilização em defesa dos bancos públicos. “É que neste momento, depois de derrubar o governo legítimo de Dilma Rousseff, Temer promove esses ataques à Caixa e outras instituições públicas para pagar o apoio dos que financiaram o golpe”, assinalou.

Jailson

Saúde Caixa em perigo

“A Caixa já habita o imaginário dos brasileiros”, disse a também bancária da instituição e diretora do SindBancários, Caroline Soares Heidner. “Ela é a responsável pela bancarização de grande parte da população mais humilde. E só está chegando aos 157 anos porque presta os serviços que a população mais precisa”, afirmou.

“O governo de Temer e seus apoiadores querem acabar com a Caixa porque defendem o estado mínimo para o povo e o estado máximo para eles mesmos”, ressaltou a dirigente sindical.

Carol

Carol acrescentou ainda que o desmonte gradual da instituição apresenta condições cada vez mais adversas para os empregados realizarem seu trabalho. E finalizou: “A direção do banco quer transformar o Saúde/Caixa num plano impagável para os seus empregados e aposentados. Temos que resistir – e este ano é um ano eleitoral”, recordou.

Bancos irmãos

O secretário-geral do SindBancários, Luciano Fetzner, traçou um paralelo entre a defesa da Caixa em nível federal e a defesa do Banrisul público no âmbito estadual. “São bancos irmãos, e manter a luta para que continuem prestando serviços à maioria da população é um desafio neste 2018 e vai ser também pelos próximos anos”, destacou ele, enquanto convidava a população e os bancários da Caixa a assinarem o Projeto de Lei de Iniciativa Popular (PLIP) contra a venda de ações do Banrisul.

A municipária porto-alegrense Deise Nunes aproveitou a barraca montada pelo SindBancários em frente à Caixa para assinar o PLIP, que poderá manter o controle efetivamente público do Banrisul. “Só os bancos públicos é que garantem o acesso da população às políticas sociais”, disse ela.

“Os bancos particulares não são abertos a todo mundo e só visam o lucro”, opinou.

O ato contou também a participação do presidente da CTB-RS, Guiomar Vidor, e da pré-candidata a governadora do RS pelo PCdoB, Abigail Pereira.

Bolo, refri e parabéns

O ato, que reuniu dezenas de bancários, sindicalistas e até moradores de rua, atraídos pela fatia do bolo de aniversário e um copo de refrigerante, teve ainda a manifestação do representante do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), Beto Aguiar.

 

Fonte: CUT-RS com Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Sul21