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Ameaçado, Jean Wyllys abre mão do mandato na Câmara e anuncia saída do Brasil

24 janeiro, quinta-feira, 2019 às 4:00 pm

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Três vezes eleito para deputado federal pelo PSOL no Rio de Janeiro, Jean Wyllys anunciou na tarde desta quinta-feira (24) que abrirá mão de seu mandato e sairá do Brasil. Ele disse também que não tem planos de voltar e que pretende se dedicar à vida acadêmica no exterior.

Wyllys, que vive desde a execução da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) e do seu motorista Anderson Gomes, em março de 2018, sob escolta policial, afirmou que há uma intensificação das ameaças de morte – que já aconteciam mesmo antes do assassinato da parlamentar.

“Me apavora saber que o filho do presidente contratou no seu gabinete a esposa e a mãe do sicário”, afirma Wyllys à Folha de S. Paulo. “O presidente que sempre me difamou, que sempre me insultou de maneira aberta, que sempre utilizou de homofobia contra mim. Esse ambiente não é seguro para mim”.

O baiano, radicado no Rio de Janeiro, foi o primeiro parlamentar assumidamente gay a encampar a agenda LGBT+ no Congresso Nacional, o que o tornou alvo da ira de grupos conservadores.

Recentemente, Wyllys venceu um processo judicial por difamação contra o também eleito deputado federal, o ex-ator Alexandre Frota (PSL-SP), que o acusou nas redes sociais de defender a pedofilia.

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“Preservar a vida ameaçada é também uma estratégia da luta por dias melhores. Fizemos muito pelo bem comum. E faremos muito mais quando chegar o novo tempo, não importa que façamos por outros meios! Obrigado a todas e todos vocês, de todo coração. Axé!”, declarou, no Twitter.

Em seu lugar, deverá entrar o jornalista e vereador David Miranda, que fez cerca de 15 mil votos – nove mil a menos que Wyllys. Miranda, que se descreve como “preto, favelado e primeiro vereador LGBT do RJ, midialivrista e pela causa animal”, terá sua vaga ocupada na Câmara dos Vereadores por Marcos Paulo, também do PSOL.

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Defensor da democracia

Durante todo o processo do golpe que destituiu a presidenta Dilma Rousseff (PT), Jean Wyllys lutou pela democracia, denunciou os golpistas e fez um emocionante discurso no dia da votação do impeachment, “uma farsa sexista, uma eleição indireta conduzida por um ladrão”, disse ele se referendo ao então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que depois foi preso por corrupção.

Assista ao vídeo!

Jean Wyllys também foi um dos parlamentares que denunciaram a prisão política do ex-presidente Lula, preso desde abril do ano passado na sede da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, depois de um processo fraudulento conduzido pelo ex-juiz Sérgio Moro, que foi recompensado com o cargo de ministro do governo de extrema direita de Jair Bolsonaro (PSL).

Defesa de Lula

No início deste mês, Jean Wyllys enviou o seu livro “Tempo bom, tempo ruim” para Lula e, em resposta, ele recebeu uma carta feita à mão pelo ex-presidente, em que ele agradece o presente e a dedicação do deputado à política e pede oposição ao governo de Bolsonaro:

“Eu estou convencido que temos que consolidar um forte enfrentamento político com o governo, e ao mesmo tempo, tratar de organizar politicamente o nosso povo”, escreveu Lula.

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Fonte: CUT Nacional