Central Única de Trabalhadores

Alunos e professores da escola Ernesto Dornelles protestam contra cortes de verba do governo Sartori

12 maio, quinta-feira, 2016 às 3:09 pm

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Estudantes e professores da Escola Técnica Estadual Senador Ernesto Dornelles organizaram um protesto na manhã desta quinta-feira (12) para chamar atenção da comunidade escolar em relação à precaridade da manutenção da escola. O ato ocorre às vésperas da assembleia geral do Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers), que pode decidir por uma greve geral devido ao parcelamento nos salários e à falta de condições nas escolas da rede estadual.

Com o objetivo de dar visibilidade à falta de manutenção, causada pela ausência de repasse da verba escolar pelo governo do Estado, os manifestantes levaram materiais e objetos estragados para calçada em frente à escola. Além disso, uma carta aberta foi distribuída para motoristas e pedestres que passavam pelo ato. Os professores também protestaram contra o parcelamento dos salários.

Segundo a diretora da escola, Isabel Lopes, a penúria tem causado muita dificuldade para manter a escola aberta. “Por enquanto estamos conseguindo, mas não sabemos até quando nós vamos conseguir ficar com a escola aberta e funcionando”, disse.

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Ainda segundo a diretora, a escola estaria há quatro meses com verbas atrasadas. Eles não teriam recebido o valor referente aos meses de novembro e dezembro do ano passado e de março e abril deste ano. Em janeiro e fevereiro, a verba encaminhada representava metade do valor total que deveria ser repassado.

A direção alega que a falta de repasse estaria obrigando a escola a conter gastos em todos os setores e a criar dívidas com fornecedores. O presidente do Grêmio Estudantil da Ernesto Dornelles, Daniel Ajala, relatou que, no mês passado, o gás utilizado para fazer a merenda dos estudantes teria sido pago pelos professores.

A diretora ainda ressaltou que o ato seria uma preparação para a assembleia geral convocada pelo Cpers. Ela acredita que, se a greve for aprovada na assembleia, pelo menos 90% dos professores da Ernesto Dornelles não voltarão a sala de aula na segunda-feira. Na carta aberta, os funcionários relatam que “as escolas vão parar, não por vontade própria, mas por absoluta falta de condições de trabalho”. A carta também acusa o Governo do Estado de sucateamento da educação pública.

Confira a nota:

A escola pública é um patrimônio do povo e a educação é um direito constitucional, conquistado com muita luta, além de ser um direito humano básico consagrado.

Vivemos do produto do nosso trabalho, é dele que tiramos os meios materiais para o nosso sustento e é com o produto do nosso próprio trabalho que buscamos as formas para aperfeiçoar nossa relação cotidiana com o fazer educacional e assim oferecer aos estudantes conhecimento e elementos que lhe ajudem a interpretar a realidade e formar o juízo necessário para nela se inserir conscientemente.

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Nos últimos meses o governador do estado vem aprofundando uma política de congelamento e parcelamento dos nossos salários que reduz o poder de comprar dos nossos vencimentos, limitando nossas possibilidades de investir em nossa própria formação e trazendo insegurança quanto as nossas próprias condições de sobrevivência. O desejo de todo educador/professor é oferecer o melhor de si para seus pares, no entanto a política salarial do governo não colabora.

As escolas vão parar, não por vontade própria, mas por absoluta falta de condições de trabalho. Não bastasse a política salarial que desmotiva qualquer profissional, o governo do estado há meses não repassa os recursos mínimos necessários para o funcionamento regular das escolas.

Nós trabalhadoras e trabalhadores em educação da Escola Técnica Estadual Senador Ernesto Dornelles, cimos, por meio desta, expressar nossa indignação, revolta e repúdio contra a situação vivenciada nas escolas públicas do estado do Rio Grande do Sul, situação gerada por uma política do governo do estado de não investimento e sucateamento da educação pública.

Convidamos a comunidade a refletir sobre este conjunto de problemas que afetam não só a Escola Técnica Estadual Senador Ernesto Dornelles, mas todas as escolas da rede pública estadual. E juntar-se a nós na luta pela valorização dos profissionais da educação em prol de uma educação de qualidade social.

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Fonte: Sul 21