Central Única dos Trabalhadores

Agricultura familiar pede socorro aos governos Leite e Bolsonaro diante de nova estiagem no RS

27 novembro, sexta-feira, 2020 às 7:19 pm

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Os trabalhadores e as trabalhadoras da Agricultura Familiar, em parceria com organizações e movimentos sociais do campo, estão novamente mobilizados frente à segunda estiagem em 2020 que se abate sobre várias regiões do Rio Grande do Sul. O problema também atinge Santa Catarina e Paraná.

Ainda sem soluções para os efeitos da seca que impactou a safra 2019/2020, com perdas em diversos cultivos, especialmente nas lavouras de grãos, os agricultores estão sofrendo com a nova intempérie. “A falta de chuva coloca em risco as plantações e os animais, prejudicando a subsistência das famílias que vivem no campo e a produção de alimentos para trabalhadores e trabalhadoras das cidades”, afirma a secretária-geral da CUT-RS, Cleonice Back.

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Estiagem avassaladora

Diante da ausência de políticas públicas dos governos estadual e federal para enfrentar essa situação, dois documentos já foram apresentados ao governador Eduardo Leite (PSDB) e ao secretário estadual da Agricultura, Covatti Filho (PP), bem como à ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM-MS), para minimizar os efeitos e os prejuízos causados pela estiagem.

“A pouca umidade no solo afeta o plantio da safra de verão. Muitos agricultores que semearam terão de refazer o plantio, pois as chuvas não aconteceram ou ficaram abaixo da média e as previsões são nada animadoras devido ao fenômeno La Niña. Mesmo que chova nos próximos dias, as plantas não vão mais se recuperar a ponto de produzir grãos ou servir de alimento aos animais”, diz o texto.

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"Soja e milho puxam a alta dos preços da ração e complementos. Com isso, muitos produtores não conseguem comprar alimento para os seus animais (gado, suínos e aves) e há falta de água devido a estiagem. Ou seja, há uma ausência de regulação nos preços, nos estoques de alimentos e insumos. Ausência de políticas estruturantes que permitam ao agricultor produzir ou se manter no campo e há uma estiagem avassaladora que faz o cenário piorar ainda mais no meio rural”, destaca o texto.

Clique aqui para ler a carta à ministra da Agricultura

Clique aqui para ler a carta ao secretário da Agricultura e ao governador

Além da Fetraf-RS, os documentos foram também assinados pelo Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Cooperativa de Crédito com Interação Solidária (CRESOL) e União das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (UNICAFES).

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Reunião com ministra da Agricultura

Na última segunda-feira (23), o problema foi discutido com a ministra, durante reunião que teve a participação de Cleonice e do coordenador-geral da Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul (Fetraf-RS), Rui Valença.

As principais demandas apresentadas foram:

- necessidade de disponibilidade de 100 mil toneladas de milho na modalidade balcão da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) com preços subsidiados;

- liberação imediata do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (PROAGRO) para as lavouras de milho para que seja feita novo plantio;

- criação de um programa de irrigação para a agricultura familiar, construindo açudes, cisternas, com perfuração de poços artesianos e recuperação e preservação de nascentes e fontes.

Além disso, foi solicitado um crédito de emergência para os agricultores mais atingidos no valor de 1 salário mínimo por família pelo período de seis meses.

“A ministra se comprometeu a fazer uma nova reunião na próxima semana (terça ou quarta-feira) para dar retorno sobre essas questões, porém já foi adiantado pela equipe técnica do Ministério da Agricultura que os recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) para custear o replantio acabaram. A sugestão do Ministério é que esses valores sejam negociados com recursos dos próprios bancos”, disse Rui.

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Pedido de audiência com secretário da Agricultura e governador

A estiagem também foi objeto de um pedido de audiência com o secretário da Agricultura e o governador do Estado, que foi protocolado no último dia 17.

Entre os principais pontos que as entidades querem tratar estão o abastecimento de água para o consumo humano e dos animais, a falta de alimentação para os animais com a ausência de pasto em decorrência da falta de chuva e o alto preço da ração e do milho.

Foi solicitado que seja reeditado imediatamente o programa troca-troca de sementes de milho e forrageiras, assim como a anistia do atual programa. Também preocupa os agricultores familiares as dívidas do FEAPER e FUNTERRA que tem seus vencimentos nos próximos meses. Para tanto, foi solicitado a prorrogação dessas parcelas para o final dos contratos.

“Essa pauta vem no sentido de pedir socorro ao governo do Estado, pelo fato de já ser comum termos falta de chuva no Rio Grande do Sul. O que precisamos é estar preparados, enquanto poder público com políticas que sejam de fácil acesso pelos agricultores familiares e que tenham agilidade pelos órgãos governamentais e agentes financeiros. Exemplo disso é a liberação imediata das lavouras de milho para a alimentação dos animais, aproveitando o que ainda resta de condições alimentares dessas plantas", disse o coordenador-geral da Fetraf-RS.

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Assista ao vídeo da secretária-geral da CUT-RS

 

Fonte: CUT-RS com Fetraf-RS e Brasil de Fato