Central Única dos Trabalhadores

50 anos do Dia da Consciência Negra em Porto Alegre exige Fora Bolsonaro Racista

20 novembro, sábado, 2021 às 10:57 pm

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Milhares de pessoas tomaram as ruas do centro de Porto Alegre na tarde ensolarada deste sábado, 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, e participaram alegremente da Marcha Independente Zumbi Dandara, organizada pelo movimento negro e apoiada pela CUT-RS, centrais, sindicatos, movimentos sociais e populares, e partidos de esquerda, protestando contra o racismo estrutural e gritando “Fora Bolsonaro Racista”.

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No ano passado, a manifestação foi suspensa por causa da pandemia, mas foi retomada este ano diante do avanço da vacinação contra a Covid-19 e da redução das mortes e do número de contaminados. Todos usaram máscaras de proteção.  

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Os manifestantes se concentraram desde as 15h, no Largo Glênio Peres, nas imediações da Prefeitura. Após a realização de um ato com manifestações de vereadoras negras e movimentos sociais, a caminhada partiu por volta das 17h rumo ao Largo Zumbi dos Palmares, no bairro Cidade Baixa.

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50 anos do Dia da Consciência Negra

Foi o cinquentenário do Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro na data da morte de Zumbi, em 1695. Embora só tenha sido inserida no calendário escolar em 2003 e reconhecida em âmbito federal em 2011, a primeira celebração da consciência negra ocorreu na capital gaúcha, em 1971.

A ideia era utilizar o dia da morte de Zumbi para lembrar a herança da escravização e do racismo na formação do Brasil, bem como a resistência de negros e negras, o que está intimamente ligado ao Grupo Palmares, liderado, entre outros, pelo intelectual Oliveira Silveira.

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“Estávamos insatisfeitos com o 13 de maio. Havia um grupo de negros que se reunia na Rua da Praia (no centro de Porto Alegre) e o nosso assunto, invariavelmente, era a questão negra e o fato de o 13 de maio não ter maior significação para nós. Logo, surgiu a ideia de que era preciso encontrar outra data”, disse Silveira em entrevista à Agência Brasil, em 2008, um ano antes de falecer de câncer.

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A primeira celebração do 20 de novembro ocorreu no Clube Social Negro “Marcílio Dias”, fundado em 1949 em Porto Alegre. Nos anos seguintes, a iniciativa se expandiu pelo país, principalmente a partir de 1978, quando foi fundado o Movimento Negro Unificado (MNU).

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Fora Bolsonaro Racista

Este ano, as mobilizações foram puxadas pelo movimento negro junto com as entidades que integram a Campanha Nacional Fora Bolsonaro, sob o mote #ForaBolsonaroRacista, denunciando que a população negra é a que mais sofre com a fome, o desemprego e a disparada dos preços dos alimentos e dos combustíveis, e com a pandemia, os ataques às políticas públicas e as privatizações.

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A mobilização teve outra vez cobertura em rede, formada por um grupo de veículos independentes, incluindo a CUT-RS, e transmitiu ao vivo pelo Facebook, além de acompanhar os principais destaques da mobilização pelo país.

Assista à cobertura em rede

Lutamos contra o racismo e a discriminação

“É um momento importante porque as pessoas saem às ruas para se rebelar e protestar contra uma política de extermínio da população negra e indígena. É uma crise construída pelo governo Bolsonaro para acabar com o meio ambiente, acabar os direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras e acabar com as políticas públicas”, afirmou o representante do Coletivo de Combate ao Racismo da CUT-RS, Alberto Terres.

“Nós estamos nas ruas para aproveitar essa unidade da classe trabalhadora para gritar bem alto fora Bolsonaro e essa política genocida contra o nosso povo negro que está nas periferias”, salientou.

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O representante da CUT-RS prometeu uma luta sem trégua, “Lutamos neste dia contra o racismo e a discriminação, pela valorização da classe trabalhadora. É importante essa luta e essa unidade porque precisamos combater o nosso opressor. Nós temos que buscar nas nossas ancestralidades a força e a garra para lutar contra o nosso opressor. Se eles não descansam um só dia para nos perseguir, com certeza nós não daremos folga aos nossos opressores. Lutaremos, lutaremos e lutaremos. Nós resistiremos”.

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Assista à fala do representante da CUT-RS

Partidos devem incorporar lutas antirracista e feminista

Com faixas, cartazes, tambores, capoeira, manifestações artísticas e carro de som, o ato reuniu uma diversidade de movimentos sociais, sindicais e estudantis, povos de terreiro, quilombolas, lideranças políticas e apoiadores.

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Suplente do senador Paulo Paim (PT), Reginete Bispo destacou a importância dos partidos políticos incorporarem na sua centralidade as lutas antirracista e feminista. “Nós vimos que a nossa democracia é falha e muito frágil, quando deixa esses grupos populacionais tão importantes e tão fundamentais em segundo plano", enfatizou.

"Para ter democracia, é necessário que toda pluralidade esteja presente nesse espaço de representação e quem faz isso é o partido político. Por isso, nós devemos cobrar e trabalhar nos nossos partidos para que a pauta racial, a luta antirracista e a luta feminista estejam presentes por um país feminista e antirracista”, defendeu Reginete, que também é vereadora suplente do PT.

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A vereadora Daiana Santos (PCdoB) disse que “não podemos sucumbir nesse estado, que é o mais desagregador e racista do Brasil. Não se curvem. Somos muito mais e exigimos nosso direito à vida, acesso às políticas públicas, dignidade, respeito e responsabilidade”, ressaltou a parlamentar.

Ela destacou a participação da bancada negra da Câmara de Porto Alegre, da qual faz parte. “Esses cinco jovens que hoje estão na Câmara de Vereadores, que sejam 10, que sejam 20 e que abram caminho para uma política pública para todos os demais. Somos a transformação”, frisou.

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Superar o racismo significa derrubar esse governo racista e genocida

“Estamos aqui também denunciando o impacto do racismo estrutural na agenda econômica de Bolsonaro. Superar o racismo significa derrubar esse governo racista e genocida”, afirmou a vereadora Laura Sito (PT).

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“Deu um trabalho do caramba construir essa marcha, fazer a disputa pelos 50 anos da consciência negra. Não tem que ser uma festinha. Temos muito pouco o que comemorar. Estamos no pior momento do nosso povo em relação à segurança sanitária, à violação dos territórios negros, à política de emprego para nossa juventude”, ressaltou a vereadora Karen Santos (PSOL).

Assista à transmissão da CUT Brasil

Um ano do assassinato de Beto Freitas no Carrefour

Durante o ato, os manifestantes lembraram ainda o assassinato de João Alberto Freitas, o Beto, na véspera do 20 de novembro de 2020 por dois seguranças do supermercado Carrefour, em Porto Alegre. A torcida organizada Os Farrapos, do Zequinha, clube de futebol que Beto era torcedor, levou uma faixa dizendo: “Nego Beto Eterno”.

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Após um ano da morte de Beto, os acordos firmados pelo supermercado e pela empresa de segurança Vector são questionados pelos advogados, que consideram que os temos desrespeitam a lei e mascaram crime de racismo.

O ato contou com a participação de vários sindicatos, vereadores, deputados e lideranças de movimentos sociais e populares, além de integrantes do projeto CUT com a Comunidade.

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Houve também atos e caminhadas no interior gaúcho.

Pelotas

Em Pelotas, ocorreu a Marcha Griô Sirley Amaro, na manhã deste sábado. Os movimentos sociais realizaram uma caminhada pelo centro da cidade, que encerrou no Mercado Central.

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Novo Hamburgo

Em Novo Hamburgo, manifestantes promoveram uma marcha pelo centro da cidade, pela manhã, ao som de tambores e músicas de protesto. Durante o trajeto, ocorreram várias manifestações de solidariedade, ora com pessoas de punhos levantados, ora aplaudindo ou buzinando. Participaram o Movimento Negro Unificado, a CUT-RS, o 14º Núcleo do CPERS Sindicato, a CUFA – Movimento da Luta pela Moradia, Sindicatos dos Metalúrgicos, Sapateiros, Bancários, Sindisindi-RS, movimentos sociais e movimento estudantil.

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Santa Maria

Em Santa Maria, os sindicatos e os movimentos sociais fizeram um ato unificado no Dia da Consciência Negra, na Praça Saldanha Marinho, protestando contra o racismo e o governo racista e genocida de Bolsonaro.

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São Leopoldo

O Movimento Negro Unificado, a CUT-RS, o 14º Núcleo do CPERS Sindicato, a CUFA – Movimento da Luta pela Moradia, Sindicatos  dos Metalúrgicos, Sapateiros, Bancários, Sindisindi-RS, movimentos sociais e movimento estudantil realizaram um ato na manhã deste sábado contra o racismo e pelo Fora Bolsonaro Racista, na Praça do Imigrante, em São Leopoldo.

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Fotos: CUT-RS, Simpa (Sílvia Fernandes) e Brasil de Fato (Fabiana Reinholz e Jorge Leão)

 

Fonte: CUT-RS com Brasil de Fato, Sul 21 e Extra Classe