Central Única de Trabalhadores

25º Grito dos Excluídos toma as ruas da Vila Santo Operário por direitos, justiça e liberdade

9 setembro, segunda-feira, 2019 às 3:53 pm

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Excluídos1 (2)

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Para lembrar os 40 anos da Vila Santo Operário, local que é um marco das ocupações urbanas no Rio Grande do Sul, o 25º Grito dos Excluídos, diferente das edições anteriores, deixou este ano a capital gaúcha e foi realizado no bairro Mathias Velho, em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre. Teve caminhada com os gritos de vários segmentos marginalizados da sociedade.

Organizada por pastorais sociais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com o apoio de sindicatos e movimentos populares, o ato reuniu, no último sábado, 7 de setembro, cerca de 800 manifestantes que andaram pelas ruas da vila sob o lema "A vida em primeiro luigar" e o lema “Este sistema não vale. Lutamos por direitos, justiça e liberdade”, denunciando os retrocessos promovidos pelo governo Bolsonaro e defendendo o direito à vida, à saúde. à educação, à moradia e pela soberania nacional.

Mesmo com tempo nublado, compareceram muitos trabalhadores e trabalhadoras, jovens, crianças e indígenas de cara pintada, que empunharam cartazes, faixas e bandeiras. O trajeto foi acompanhado por músicas de protesto e populares.

Durante o percurso, foram realizadas paradas, onde houve manifestações temáticas. A memória da luta em busca de justiça, igualdade, fraternidade e paz para as comunidades foi uma constante.

Direito de morar (2)

“Gritamos por direito à paz que tenha base na justiça social. Lutamos por trabalho, remuneração adequada e correta. Por direito a uma alimentação saudável, sem agrotóxicos, sem veneno. Lutamos por moradia, pelo direito a uma educação que liberta o ser humano. Não uma educação que mantém a pessoa na ignorância, na submissão”, afirmou Roseli Pereira Dias, assessora da Cáritas Brasileira Regional do RS e integrante da organização do Grito. 

Para ela, especialmente no contexto atual de desmonte completo, onde a soberania e a democracia estão postas em xeque, o estímulo ao Grito é ainda maior, especialmente nas comunidades.

Alcindo Rodrigues Pereira, representante do movimento comunitário da União de Associações de Moradores de Canoas, destacou que, além de celebrar os 40 anos da vila, o Grito também lembra o assassinato do metalúrgico Santo Dias da Silva, membro da Pastoral Operária, que foi alvejado pelo polícial militar Herculano Leonel na greve de operários de outubro de 1979, em São Paulo.

Morador da vila desde o seu surgimento, Alcindo pontua que o sistema não vale porque ele depreda a natureza e só traz desemprego. “Estamos gritando para que o grito desses excluídos venha à tona, para que sejam ouvidos, para que se desperte. Percorremos as ruas da vila para lembrar os seus 40 anos e também dos 40 anos do silenciamento do Santo”, aponta.

Para Carmem Correa, integrante do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras por Direitos (MTD), sempre houve números altos de fome e miséria, contudo agora chegou-se ao extremo. “Há cada vez mais um crescente número de pessoas nas sinaleiras pedindo trabalho, pedindo moradia. Estamos aqui gritando pelos nossos direitos para que a gente possa sobreviver, para que se tenha uma vida com dignidade, o direito de trabalhar e morar, esse é o nosso grito”.

Na Rua Índio Sepé, oindio Dorvalino Cardoso, da etnia kaingang, da comunidade indígena de São Leopoldo, lembrou a luta do seu povo. “São dois índios guerreiros que morreram na luta pelos seus direitos. Sepé é guarani e o Gretan é kaingang, sou das duas etnias, minha mãe é guarani e meu pai kaingang, então me sinto orgulhoso. Estou na luta desde os 13 anos, estou com 55 e continuo na luta porque é preciso que nos demos as mãos”.

De acordo com ele, a comunidade indígena está sofrendo exclusão em tudo quanto é tipo de política. “Apesar das ameaças da força nacional, estamos aqui no grito dos excluídos para enfrentar todos esses ataques”, frisou.

Mina Guaíba ameaça abastecimento de água

Michele Ramos, integrante do Movimento Pela Soberania Popular na Mineração (MAM), lembrou o crescimento das mineradoras no Estado, em especial o projeto de mina que pretende se instalar em Guaíba, da mineradora Copelmi. O projeto de exploração de carvão a céu aberto na região metropolitana de Porto Alegre ameaça o abastecimento de água e a qualidade de vida de milhões de pessoas.

“O capital mineral tem crescido no Estado e vê o território de comunidades tradicionais, de comunidades de agricultores, como possibilidade de avanço para mineração. Então estamos aqui para lutar contra esses projetos que afetam a vida das pessoas”, disse

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Na avaliação da deputada estadual Sofia Cavedon (PT), o sistema que está posto é absolutamente injusto. Ela recordou do processo de 30 anos de democracia representativa e da conquista de direitos e o acesso à cidadania.

“Em 2016 tivemos uma ruptura desse processo, que se seguiu na manipulação da Justiça, da polícia, com a prisão do Lula e retirando-o como candidato. Isso fica muito claro com as decisões posteriores que estão tirando direitos de forma brutal do trabalhador, através da reforma trabalhista, da reforma da Previdência e da venda do patrimônio público e da terceirização. Por isso, dizemos que esse sistema não vale. Muito menos quando tem a democracia suprimida, e nós queremos mudá-lo. Gritamos porque todos têm direto a ter voz e vez nesse país e poder de decidir”, ressaltou.

Liberdade par Lula1

Grito contra as mentiras das privatizações

Seguindo essa linha, o representante do Sindipetro-RS, Edison Terterola, disse que o 7 de setembro deve ser o dia do grito pela independência e pela soberania nacional. “Nós, petroleiros, defendemos que o petróleo do pré-sal seja revertido para a população brasileira, aasim como foi a Petrobras até o ano de 2016. Hoje a Petrobras está sendo destruída, privatizada aos pedaços. Qual a consequência disso? É o aumento do preço dos combustíveis, o aumento do gás de cozinha, o aumento do desemprego e uma série de problemas sociais causados pela falta de investimentos”, ressaltou.

De acordo com ele, o governo alega que, com a privatização, o preço do combustível vai diminuir, o que, na sua avaliação, é uma mentira. “Nós, aqui em Canoas estamos empenhados e conseguimos apoio das autoridades contra a privatização da nossa refinaria porque nós provamos que, com a privatização da Petrobras, quem vai pagar essa conta do aumento do preço do combustível é a população”. A Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) fica a alguns quilômetros da vila, separada pela BR 116.

Trabalhadores gritam contra reforma da Previdência

Para Paulo Chitolina, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas e Nova Santa Rita, a luta do grito dos excluídos é uma luta permanente contra o desmonte dos direitos dos trabalhadores, principalmente a partir da reforma trabalhista e, recentemente, da reforma da Previdência.

Chitolina falando (2)

Ele também lembrou os mais de 12 milhões de desempregados no país. “Temos um governo que não investe em educação, um governo que só quer tirar direito dos trabalhadores e não pensa um projeto para criação de empregos. Essa é a nossa luta para que se tenha emprego. A economia só vai girar se tivermos emprego”, salientou Chitolina.

Outro grito foi em favor da alimentação livre de agrotóxicos e veneno. Juraci de Oliveira, integrante do Movimento do Trabalhadores Sem Terra (MST), lembrou que o país é campeão no uso e consumo de agrotóxicos na produção agrícola.

“Estamos aqui no Grito e queremos manifestar mais uma vez nosso repúdio contra o veneno e o agronegócio, que mata o povo trabalhador. Precisamos da saúde e não de morte. Precisamos de trabalho, de distribuição de renda, de distribuição da terra, retirar a terra concentrada nas mãos de poucos para podermos ter comida. A cidade não janta se o campo não planta”, enfatizou.

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Ocupação Vila Santo Operário

De acordo com Alcindo, o nascimento da Vila remete ao êxodo rural, onde muitas pessoas vieram para trabalhar na construção civil e, principalmente, no polo petroquímico. Por conta da falta de lugar para morar, as pessoas passaram a ocupar um terreno onde havia uma granja de arroz desativada.

“Primeiro, o pessoal se acumulou na favela chamada Guabiju e, no Natal de 1979, houve o boom da ocupação. De lá nasceu a Santo Operário, a Vila Natal e a Vila União dos Operários. A ocupação foi realizada por pessoas em busca de uma alternativa de vida. Foi um processo de muita organização comunitária e que gerou muitos frutos e muitas lideranças. Temos muito orgulho desta história”, conta.

Acompanhe aqui a transmissão da Rede Soberania!

 

Fonte: CUT-RS com Fabiana Reinholz - Brasil de Fato