Central Única dos Trabalhadores

“13 de maio: a abolição inacabada e a falsa democracia racial”, aponta Isis Garcia

13 maio, sexta-feira, 2022 às 9:57 am

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Isis no Cpers

Isis no Cpers

A secretária de Combate ao Racismo da CUT-RS, Isis Garcia, divulgou nesta sexta-feira (13) o oportuno artigo "13 de maio: a abolição inacabada e a falsa democracia racial". O texto reflete sobre os 134 anos da Lei Áurea, "que trouxe uma abolição inacabada da escravatura para cerca de 4,8 milhões de africanos sequestrados de suas famílias, encarcerados em navios e escravizados no Brasil"

"Hoje, nós, população negra, já temos convicção sobre o que foi feito para que a gente ficasse no lugar de total abandono", ressalta Isis, que também é diretora da Fetrafi-RS. "Sabemos que nossas relações sociais ainda são do modelo Casa Grande e Senzala e temos a visão como a sociedade ainda nos enxerga, porém agora sem ingenuidade."

Segundo ela, "sabemos desse grande desafio de modificar esse modelo, pois por muitas décadas não conseguimos enfrentar esse tema estrutural nas relações de trabalho".

Leia a íntegra do artigo!

13 de maio: a abolição inacabada e a falsa democracia racial

Mais um 13 de maio para refletirmos juntas e juntos sobre essa data que, por muitos anos, foi romantizada pelo sistema escravagista e opressor. São 134 anos da Lei Áurea, que trouxe uma abolição inacabada da escravatura para cerca de 4,8 milhões de africanos sequestrados de suas famílias, encarcerados em navios e escravizados no Brasil.

Hoje, nós, população negra, já temos convicção sobre o que foi feito para que a gente ficasse no lugar de total abandono.

Mas, como sempre foi nossa principal característica, resistimos e superamos de forma organizada e real essa servidão que nos foi imposta. Nossa diáspora ancestral nos trouxe a este lugar.

Desconstruímos conceitos enganadores, como a falsa democracia racial, e que muitos de nós absorveram durante gerações esse conceito fabricado pelas elites do atraso.

Sabemos que nossas relações sociais ainda são do modelo Casa Grande e Senzala, e temos a visão como a sociedade ainda nos enxerga, porém agora sem ingenuidade.

Estamos todos passando por um processo de pertencimento de nossa ancestralidade valorosa e fundamental para a reconstrução desse nosso país, tão perdido quanto às suas origens.

Nossas relações de trabalho hoje refletem esse modelo do tempo da escravidão, porém, com as ações do movimento negro organizado, conseguimos criar políticas afirmativas minimamente reparatórias para a recuperação de nossa dignidade enquanto cidadãs e cidadãos.

Hoje nós, representantes do movimento sindical, temos o compromisso de tratar sobre isso de forma coletiva, solidária e comprometida, saindo do discurso e indo para a ação concreta e eficaz.

Sabemos desse grande desafio de modificar esse modelo, pois por muitas décadas não conseguimos enfrentar esse tema estrutural nas relações de trabalho.

Porém, hoje estamos no caminho certo ao romper com esse apagamento da história, ao qual a classe trabalhadora foi submetida. Temos uma política sindical e social antirracista de fato para combater a violência, as desigualdades e a exclusão.

Nossa diversidade e ancestralidade vieram para ficar e não serão mais submetidas à invisibilidade estratégica do sistema.

Vamos continuar empretecendo os quatro cantos do país, com a nossa riqueza cultural e ancestral. As nossas influências estão enraizadas em todos os setores da sociedade.

E no mundo do trabalho vamos continuar lutando para atualizar o nosso modelo estratégico de organização, para que o apartheid social e econômico não se mantenha em pé, buscando abrir trincheiras para um mundo com respeito, equidade étnico-racial e dignidade.

Viva a resistência do povo negro e a luta antirracista da classe trabalhadora!


Foto: CPERS Sindicato

 

Fonte: CUT-RS