Central Única dos Trabalhadores

Com a presença da CUT, Marcha das Mulheres Negras ocupa Brasilia nesta quarta

17 novembro, terça-feira, 2015 às 12:15 pm

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Nesta quarta-feira (18), mulheres cutistas de vários cantos do país marcharão em Brasília contra o avanço do conservadorismo e da direita racista. A Marcha das Mulheres Negras, composta por diversas entidades do movimento negro, sociais, entre ela, a CUT, denunciará o racismo e a violência de gênero.

A expectativa é que cerca de 20 mil mulheres, trabalhadoras do campo e quilombolas participam do evento. A marcha celebrará também o Dia da Consciência Negra, data que lembra a luta do líder Zumbi de Palmares pela liberdade e direitos dos(as) negros(as.

A presidenta da CUT-MA, Maria Adriana Oliveira, filha do quilombo Mata São Benedito, interior de Itapecur Mirim, a 118 km da capital São Luís, organiza uma caravana de 400 mulheres do Maranhão rumo à capital federal.

Ela acredita que a marcha é uma oportunidade de desconstruir a cultura do machismo que existe nas comunidades quilombolas, além de mostrar a história dessas mulheres que são invisibilidades pela mídia. “Estamos levando essas mulheres que nunca saíram das suas casas. Por conta do machismo, os maridos delas são contra, mas falamos na capacitação que elas são capazes e que existem políticas públicas para nós mulheres negras”.

Mulher e negra, Adriana conta que teve uma vida difícil e que desde jovem precisou sair da casa dos pais para trabalhar. “Era uma jovem, e tinha aquela mentalidade de que os negros só serviam para lavar os pratos. Hoje, além de presidente, ajudo na capacitação de jovens e mulheres quilombolas na questão do reconhecimento das terras porque os próprios moradores não têm conhecimento dos direitos e são explorados”, diz a presidente.

Paloma dos Santos, secretária das Mulheres da Contracs (Confederação dos Trabalhadores no Comércio e Serviços), avalia que a marcha mostrará a valorização da mulher negra no mercado de trabalho, em casa, na saúde. “A gente vem trazer as nossas propostas porque estamos saindo da invisibilidade, além de mostrar para a sociedade a nossa cultura. E essa sociedade tem que entender que fazemos parte dela e que estamos empoderadas para ocupar os nossos espaços”, afirma.

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Da esquerda para a direita, Paloma, Adriana, Christiane e Glórya

Mulher, negra e lésbica, Paloma afirma que já sofreu tríplice discriminação. Ela ressalta que o movimento sindical tem o desafio de garantir políticas públicas para mulheres lésbicas. “Nós do movimento temos que fazer políticas públicas para garantir o direito e proteção para nós mulheres lésbicas. Vemos muito medo e angustia das companheiras por não mostrar quem elas são, disse.

De acordo com Christiane Ramos, secretária da Igualdade Racial da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM), o evento acontece num momento importante onde as pesquisas mostram o aumento de violência contra mulheres negras. “Marcharemos contra a violência e pelo bem viver porque queremos igualdade de oportunidade entre homens e mulheres. Estamos trazendo vários sindicatos filiados à nossa confederação para participar da marcha”, ressalta.

Segundo o Mapa da Violência 2015, divulgado no último dia 09, pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), aponta também que em um ano, morreram 66,7% mais mulheres negras do que brancas no País, um avanço de 54% em 10 anos.

Para Glorya Ramos, da CUT-RIO, a marcha vai inaugurar um outro fazer possível das mulheres negras, além de retomar seu protagonismo. “Vamos marchar com perspectivas, com a nossa plataforma e identidade. Nós fomos sequestrados da África, estávamos confortáveis e viemos para cá fazer a resistência. E é isso que vamos fazer”.

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Gaúchas presentes

Um ônibus com a delegação de mulheres negras da CUT-RS, sindicatos, federações e movimentos sociais está a caminho de Brasília, com a presença da secretária de Igualdade Racial, Angélica do Nascimento, e da secretária da Mulher Trabalhadora, Ísis Marques.  Elas saíram de Porto Alegre no início da tarde de segunda-feira (16), levando muita energia, garra e vontade para fortalecer a luta contra o racismo e a violência e pelo bem viver.

 

Fonte: CUT-RS com CUT Nacional